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Pirolito – a garrafa que marcou uma geração

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Para perceber melhor a nossa herança cultural, a LOBA visitou a da Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis e redescobriu algumas peças históricas. Conheci o pirolito e a sua importância.

A nossa herança cultural é o que nos diferencia e o que cria os nossos pontos gravitacionais. Acontece o mesmo com as marcas. É a cultura da marca que faz com que os utilizadores se conectem ou se afastem dela. Dou como exemplo o pirolito.

Conseguir perceber como a cultura está a mudar, porque todos mudamos enquanto pessoas e sociedade,  percebemos também o posicionamento de uma marca para ser bem sucedida. Este pensamento implica curiosidade sobre o que nos rodeia, de onde viemos e para onde vamos.

No meu contexto cultural sempre ouvi falar no pirolito e como a geração do meu pai tenta explicar com saudosismo a garrafa. Este objeto significou muito para esta geração e esta carga de significado podia muito bem ser transformada numa oportunidade. Transformar-se na descoberta de uma nova posição de uma marca de refrigerantes no mercado, por exemplo.

Vi a primeira vez, com 36 anos, uma garrafa de pirolito e ouvi o som do berlinde no seu interior. Não sabia que havia uma no museu. Adicionalmente fiquei também a saber que a primeira fábrica registada de produção de vidro se situou em Oliveira de Azeméis.

Desenvolvi uma ilustração contemporânea para o rótulo do pirolito recorrendo a formas geométricas básicas, cores primárias e um grupo de personagens. Todos estes elementos remetem-nos para o conceito de movimento, tão apelativo para os mais novos. Alguns elementos tipográficos vão “beber” ao passado (anos 40/ 50) e são misturados com tipografia mais recente.
A ideia deste exercício foi trazer o passado para o presente, interpretando-o sem o desvirtuar e, fazê-lo perdurar no futuro:

O Pirolito (Autoria: garfadasonline.blogspot.pt)

O pirolito foi uma bebida muito apreciada durante a primeira metade do século XX. Ficou no imaginário dos que a conheceram não só pelo seu gosto, mas também pela forma da garrafa. Era uma bebida gaseificada, feita à base de um xarope feito com açúcar, água, ácido cítrico e essência de limão, a que posteriormente era adicionado gás carbónico. A receita deste xarope base variava de fábrica para fábrica, constituindo esse o seu segredo. Para quem não a experimentou, pode dizer-se que o mais parecido, hoje em dia, é a “Seven-Up”.

A garrafa de pirolito foi inventada por um inglês, Hiram Codd, que registou a patente em 1872. Foi criada com o fim de ser usada para bebidas gaseificadas, como a soda, águas minerais, limonadas e foi usada em toda a Europa e Estados Unidos.

O formato da garrafa, também conhecida por «frasco de bola», distinguia-a de todas as outras bebidas gaseificadas. Tinha uma forma cilíndrica na base, encimada por um gargalo cónico, com um aro de borracha na extremidade superior, que se destinava a fechar hermeticamente a bebida por intermédio de uma bola de vidro. Esta bola de vidro transformava-se num berlinde, apreciado pelos rapazes, quando se partiam as garrafas, usados depois no jogo do berlinde. Um estreitamento bilateral no gargalo, como se fosse feito por dois dedos, permita fixar o berlinde, depois de aberta. Para abrir a garrafa bastava carregar no berlinde e este descia para a sua cavidade própria no gargalo. Ao pegarmos numa garrafa de pirolito ouvimos o som inconfundível do berlinde a bater nas paredes da garrafa.

Em Portugal houve inúmeras fábricas de pirolitos, distribuídas por todo o território, nomeadamente em Aveiro; Barreiro; Estremoz; Espinho; Coimbra; Sesimbra, Marinha Grande, Lourinhã, etc. Assim, cada pessoa que conheceu o pirolito acha que o da sua zona foi o primitivo. Em comum existiam as garrafas fabricadas na Marinha Grande. Do que nos foi possível constatar existiam vários tipos de garrafas. Embora o modelo seja o mesmo os tamanhos e o tipo de vidro variam ligeiramente. Isto deve-se a que eram fabricadas em várias fábricas. Algumas garrafas não tinham qualquer identificação na base, enquanto outras apresentam as marcas das fábricas em que eram produzidas.

Nos anos 50, preocupações com a higiene levaram a uma legislação que obrigou os fabricantes a melhoramentos nas suas fábricas e à proibição de utilizar este tipo de garrafa de bola, por ser de difícil lavagem. Com resultado muitas fábricas de pirolitos foram obrigadas a fechar. A garrafa aqui exposta faz parte do espólio da Casa – Museu Regional de Oliveira de Azeméis.

Pirolito “Gasosa”, Refrigor, Lda

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