Ver todos os posts
Publicado em Publicado em

Manifesto pro-consciência do acesso à informação

Categoria

KNOL

Partilhar

Na LOBA respondemos ao desafio da Casa – Museu Regional de Oliveira de Azeméis, com um: “vem mesmo a calhar”!

A sede da empresa é em Oliveira de Azeméis. O escritório da sede é (ainda) o que tem maior equipa. E afinal, passamos tanto tempo em Oliveira de Azeméis.

 

Assim, conhecer melhor as raízes desta região e destas gentes, que com as nossas vivências nos influenciam, e às quais estamos ligados de alma ou coração, é uma oportunidade a agarrar.

Por outro lado, promover a cultura e a região, captar novos públicos para os museus, partilhar as nossas experiências e disseminar a nossa marca, fazem parte do nosso desígnio.

Ao ser guiado pela visita da Casa – Museu Regional de Oliveira de Azeméis, motivado para um olhar de ponte com o futuro, interessei-me por diversas peças e personagens.

Encontrei um traço comum na história de cada objeto e personagem, que foi o facto da história ser cíclica. Os fundamentos da nossa vivência são intemporais e olhando para os desafios, feitos e fracassos do passado, podemos aprender a potenciar os nossos objetivos atuais.

Impressionou-me o legado do homem benemérito que doou todo o seu espólio e que deu assim origem a este projeto que é a Casa – Museu Regional de Oliveira de Azeméis. A vida e o ato altruísta de João Marques de Almeida Carvalho nesta doação, leva-me a questionar o propósito das nossas vidas. Grandes atos fazem-nos avaliar o que queremos para a marca de cada um de nós neste mundo.

Ao olhar para o enorme manuscrito “Emigrantes” de Ferreira de Castro, inspirou-me a força de vontade, obsessão e capacidade do Homem por trás do Autor. «O manuscrito “Emigrantes” é constituído por 807 folhas soltas. A obra completa tem uma espessura aproximada de 10 cm.» É que a dimensão física do livro, remete-nos para o enorme trabalho e a dedicação para levar a cabo esta estoica missão. Este exemplo lembra que independentemente dos tempos, o gosto, o foco e a afetação são essenciais para construir qualquer feito que possa ganhar intemporalidade.

A minha formação em engenharia levou-me a apreciar a máquina de calcular antiga – “Addiator” – que era calculadora mecânica portátil, e o quanto ela terá contribuído para a aceleração do ritmo dos negócios e a vantagem que terá conferido a quem dela podia dispor. A adoção das novas tecnologias como vantagens competitivas para os profissionais e empresas, é um processo constante na evolução humana e podemos projetar este exemplo vezes sem fim na história, no presente e seguramente no futuro.

Gostei também imenso da coleção de rádios que a Casa-Museu dispõe e foi esta a minha opção para fazer uma reinterpretação no âmbito desta ação da LOBA subordinada ao tema “O passado justifica o futuro” com a Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis para celebrar o Dia Internacional dos Museus.

O rádio comigo na foto já foi peça do mês na Casa-Museu, e segue um excerto do texto que acompanhava a sua exposição:

«A coleção de rádios aqui exposta faz parte do espólio da Casa – Museu Regional de Oliveira de Azeméis e foi doada por Constantino de Carvalho. Datam das décadas de 40, 50 e 60. (…)
A história da rádio passou por vários processos até aos dias de hoje. Um dos primeiros foi realizado por Michael Faraday quando descobriu, na Inglaterra, o princípio da indução eletromagnética em 1831. (…)
Em 1947, Jonh Boorden e Walter Brattain inventaram o transístor, que iria tornar possível a construção de rádios mais pequenos. (…)
Em Portugal a rádio apareceu um pouco mais tarde através de curiosos que tentavam construir as suas próprias emissoras de rádio, surgindo a primeira estação emissora em Outubro de 1925 (…)»

São dezenas de rádios antigos que mostram os diversos tipos de aparelhos e a evolução destes. Além de peças clássicas muito bonitas, este deslumbre levou-me a recordar histórias da minha vida, que como todos nós certamente temos, envolvem o rádio:

  • Ouvir a minha mãe contar como o meu avô passava as tardes de domingo agarrado ao rádio a ouvir os relatos do clube grande do nosso coração e como reagia com os filhos perante a vitória deste;
  • As viagens de carro para casa ainda em tempo pré-escolar a ouvir os êxitos musicais desse tempo;
  • Estar aos finais da tarde dos tempos da minha escola primária, junto ao rádio de casa da minha avó, a aguardar ouvir o meu tio locutor na rádio local;
  • Passar tardes no carro a ouvir música na rádio enquanto aguardava pela boleia do meu Pai para irmos para casa;
  • Concorrer a passatempos na rádio para ganhar bilhetes para eventos;
  • Ouvir na rádio de forma emocionada diretos de concertos dos quais não consegui assistir ao vivo;

 

O rádio continua a fazer parte da nossa vida. Hoje é um dado adquirido. É até uma forma de comunicação, informação e entretenimento que perde quota de audiência, face às tecnologias “on demand”, que nos permitem ouvir o que queremos quando queremos (entre podcasts, streaming de música e afins).

As minhas vivências com os rádios e a invocação da história da rádio remete-me para a reflexão de quão cíclico é o paradigma da nossa sociedade em se adaptar a aprender a viver com as evoluções tecnológicas dos meios de comunicação.

Com efeito, o salto “quântico” que o aparecimento da tecnologia do rádio trouxe, terá sido do mesmo “comprimento de onda” do aparecimento do jornal, posteriormente da televisão e mais recentemente da Internet.

Cada nova tecnologia adotada pela sociedade, traz desafios pessoais e sociais. Com efeito, se nos dias de hoje, estamos alerta para as questões da dependência dos telemóveis e das redes sociais, também no passado estas mesmas questões se colocaram de forma similar.

O ato preocupante do indivíduo que está “agarrado” ao telemóvel nas redes sociais sem se relacionar com os que o rodeiam, é na verdade o mesmo ato historicamente repetido de:

  • Chegar a casa e ficar a ler o jornal sem falar;
  • Chegar a casa e ficar a ouvir rádio sem falar;
  • Chegar a casa e ficar a ver televisão sem falar;
  • Chegar a casa e ficar a navegar na internet sem falar.

 

Cada novo meio de comunicação, que traz consigo a informação, o entretenimento e a publicidade, levanta questões sociais.

Com o tempo, a sociedade aprende a viver nestes novos paradigmas, ajustando o seu comportamento às oportunidades e aos perigos que cada novo meio de comunicação nos proporciona.

Assim, da mesma forma que o jornal, a rádio e a televisão foram ganhando o seu lugar e enquanto seres sociais fomos aprendendo a enquadrá-los nas nossas vidas, acredito que estamos a aprender a viver com as potencialidades da Internet.

O excesso de informação. A “ubiquidade” digital. O acesso a quaisquer conteúdos onde e quando desejarmos. A partilha de tudo com todos. A híper-segmentação. A híper-conetividade. Todas estas questões trazidas pela Internet, são muito recentes, e constituem oportunidades que aprenderemos a aproveitar.

E porque estas questões são cíclicas e constituem focos de problemas pessoais, familiares e sociais, o meu contributo para este desafio de re-interpretação da coleção de rádios da Casa – Museu Regional de Oliveira de Azeméis numa nova ótica e no âmbito da agência LOBA, é propor um manifesto pro-consciência do acesso à informação.

Desperta a consciência! Assume o controlo!
Escolhe o que lês, vês e ouves. Define quando e quanto.
Toda a informação que recebes tem um contexto, um autor e um objetivo. Sê crítico.
Que o teu cérebro consciente comande o teu desejo de estar informado, de querer fazer parte, de querer partilhar e de ter entretenimento.
Que os teus objetivos de agora, de hoje e de vida vençam o vício da recompensa imediata da dopamina.
Sê proativo no acesso à informação.
Exercita a tua memória e a tua criatividade.
O tempo é o teu bem mais escasso. Investe o teu tempo no que é mais importante.
Viva a comunicação! Viva a informação!
Do que se alimenta a tua vida, manda tu!

Ver todos os posts