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Da datilografia aos teclados e touch screens

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Substituída por teclados e touch screens, a máquina de escrever foi uma invenção revolucionária deixando uma herança marcante em termos tecnológicos.

A Remington evoluiu da produção de armas de fogo para se tornar a primeira empresa a investir no fabrico de um tipo de arma que se veio a revelar muito poderosa e impulsionadora de um salto tecnológico gigante – a máquina de escrever. E foi uma Remington que me despertou interesse no espólio da Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis.

Apesar de hoje olharmos para a máquina de escrever ou máquina de datilografia como um objeto arcaico, foi uma invenção muito útil e revolucionária em termos de tecnologia. Inventada no séc. XVIII, marcou um período importante na história da tecnologia e revolucionou a sociedade, a economia e todos os segmentos ligados à escrita, até então feita de forma manual.

Este instrumento consistia num sistema onde a tecla pressionada causava uma impressão no papel. Pode imaginar-se quão mais rápido e uniforme se tornou a redação de um texto em comparação do uso de uma pena ou caneta.

Foram adotados vários tipos de teclado, mas o mais comum foi o layout do QWERTY, que surgiu da necessidade de rapidez na escrita, permitindo que as teclas mais utilizadas estivessem afastadas, evitando que as hastes metálicas com os caracteres na extremidade colidissem entre si. Os teclados dos equipamentos modernos de hoje preservam ainda o mesmo formato QWERTY das antigas máquinas de escrever (pelo menos até que o avanço tecnológico proporcione outra alternativa!).

A máquina de escrever tornou-se um objeto indispensável no mundo dos negócios, proporcionando novas oportunidades de emprego e contribuindo para a inserção da mulher no mercado de trabalho. Pode dizer-se que foi um dos principais responsáveis, na época, pela aceleração da produtividade na área dos serviços.

Este objeto, olhado hoje com um certo charme, foi sucedido pelos computadores que incluíam o ato de escrever por meio de processadores de texto, permitindo fazer o mesmo trabalho de forma mais eficiente, rápida e confortável, numa era em que prevalecia a competitividade e produtividade no mercado de trabalho. Abandonamos então um “ritual” de escrita que era único pois o erro ficava marcado no papel sem possibilidade de recorrer a um delete ou com ctr+z como usamos tão automaticamente nos dias de hoje.

Vimos então acontecer uma evolução não só tecnológica como socio-económica, estreitamente ligada à evolução dos processos de comunicação. O mundo mudou!

Através do computador e da potencialização da Internet, novos sistemas de comunicação foram criados. E-mails, chat’s, grupos on-line, redes sociais, são algumas ferramentas que têm vindo a revolucionar os relacionamentos humanos. E é engraçado relembrar que na base de tudo isto temos predominantemente a escrita, ou seja, os principais sistemas de comunicação atuais baseiam-se exatamente no mesmo princípio da máquina de escrever. Continuamos a comunicar digitalizando e ainda não mudamos de paradigma, nomeadamente comunicarmos exclusivamente através da fala/voz.

Cada vez mais, as novas tecnologias dominam as relações pessoais e profissionais. A comunicação entre as pessoas e empresas é mais dinâmica que nunca e o conhecimento chega-nos às mãos (ou aos olhos) a toda a hora.

Os negócios reinventaram-se e existe a necessidade constante de evolução. Se olharmos para o nosso local de trabalho nos dias de hoje, quase nada tem a ver com aquele que seria há pouquíssimos anos atrás. Máquinas de escrever deram lugar a computadores. Computadores, tablets e smartphones têm visto o seu tamanho reduzido e compactado, sendo mesmo possível transportar no bolso.Temos informação sempre acessível através de um monitor e internet e temos a possibilidade de estarmos conectados com o nosso cliente ou colega a qualquer instante. Isto faz com que o escritório já não seja visto como um local imaculado como noutros tempos, uma vez que muitos trabalhos podem ser realizados em casa, em movimento e de forma mais produtiva que nunca.

E pensarmos que na origem de tudo isto, esteve apenas a ideia genial de gravar caracteres em papel…

Este objeto maravilhoso que é a máquina de escrever mostra como uma ferramenta de escrita tão simples utilizada no passado evoluiu até hoje deixando as portas abertas para a construção de um futuro imprevisível, em que ficamos na expetativa de quais serão as novas ferramentas, interfaces, meios e tecnologias. Como se manterá vivo o papel da escrita? Será que no futuro ainda iremos recorrer a teclados (físicos ou virtuais) para escrever, comunicar ou redigir documentos? Poderá também toda esta agitação, distrações e quantidade de informação que nos chegam através de todas as novas tecnologias, afetar de alguma maneira a nossa capacidade criativa ou bloquear o nosso pensamento mais genuíno e crítico, que nos dê vontade de voltar a sentar em frente a uma simples máquina de escrever?

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